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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Depois de Ver... Meu Maior Presente

Sempre fui meio social. Lembro de um aniversário, devia ser o de 12 ou 13 anos. Em que ganhei o direito de escolher meu presente. Corri nervoso para o mercado da cidade para escolher o meu presente. Como filho único de poucos e próximos amigos. Sabia bem o que era brincar sozinho. O que me encheu os olhos? Um supercarro de controle remoto. Era uma Ferrari vermelha que cabia exatamente no valor máximo que tinha para a compra do presente.

Com um controle que permitia se afastar até 20 metros do carrinho, alcance de velocidade de incríveis 7 km/h, a Ferrari era o sonho de consumo de milhões ao redor do mundo, e aquela luxuosa máquina em miniatura era o de centenas, talvez milhares de criança. Inclusive daquela, o pequeno eu.

Mas sabe o que? Comprei, com o mesmo valor da Ferrari, 3 pequenos carros, também de controle, mas com fio de pouco mais de 60cm, que nos forçava a andar junto ao carro. E corria? Corria, a incrível velocidade 2km por hora, só isso.

Mas ele fazia o que o outro não permitia, brincar com os amigos, de igual para igual. Mas ai me perguntam, “o aniversário não era seu?”, “você não poderia ter emprestado a eles a Ferrari, para eles também brincarem?”. E a resposta é simples, podia, mas não o fiz. Preferi partilhar aquele momento com eles de forma efetiva e completa.

Mas não se engane, não fiz meramente por motivos nobres e maravilhosos, é que sempre fui meio solitário. E isso me fez ser ao mesmo tempo independente, mas preocupado com o bem-estar dos que me rodeiam.
Não era questão de comprar amizades, sempre tive amigos independentemente do dinheiro, que nunca tivemos muito. Era questão de multiplicar a felicidade, através da felicidade de todos.

Quando um só sorriu, a piada não foi adequado. Quando um só come em meio a muitos, por mais que este coma bastante e esteja satisfeito, não há comida suficiente.

Hoje fico feliz com a lembrança do pequeno Marcello, correndo, brincando e compartilhando o mundo. Que por mais que às vezes pareça ser em minha cabeça. Nunca foi só meu.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Depois de Ver... 10.958 mil dias

Sim. Cheguei aos 30. E inevitavelmente olho para o passado. Com ar nostálgico e até avaliador do passado.
E o que vejo são duas constantes ao longo desse tempo.

Querendo ou não vocês dois de forma direta ou indireta fazem parte da minha vida diariamente ao longo destes 30 anos. Hoje, mesmo longe, mãe você é apoio, é conselho, é ajuda seja psicológica, financeira ou o que quer que apareça. Mesmo que poucas, as conquistas que tive e tenho são constantes, integras, honestas e no geral todas tem um dedinho seu. Todas também são suas.

A você pai, sempre como uma referência e importante para saber que honestidade é um dos maiores valores que alguém pode ter. Para mim, você sempre foi e será sinônimo de inteligência e caráter. A sua criatividade e inventividade são exemplos, linhas que me inspiram e norteiam.

A educação, cultura e ensino de qualidade que ambos me proporcionaram, muito fez e faz diferença em minha jornada. Foi tudo isto, junto ao apoio, moral, psicológico e financeiro, que me deram foram os principais motores que me trouxeram aqui, tão longe. E que com certeza me impulsionará a muito mais longe.

Mas sei que nem só de pais minha vida foi feita, família, amigos e colegas também tiveram grande influência. Quantos são as tias, quase mães, primos e amigos. É muito o carinho recebido sempre e de tantas maneiras.
Sempre achei a referência de que família é uma ancora estranha. Ancora é pesada nos prende, nos limita.

Vocês todos são para mim, boias, que se mantem próximas e me mantem seguro e apoiado nos momentos mais tempestuosos, sem limitar o meu ímpeto de conhecer o mundo, e me ajudam a me manter a salvo, neste mais profundo e misterioso que é o mundo.


Amo todos vocês de maneira única e particular, e as lembranças maravilhosas que me proporcionaram em todos estes anos são verdadeiros presentes. Obrigado a todos, e que venham mais 30.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Depois de Ver... O dia que a Poesia se Esvair.

O que será de mim, se ou quando,
Um dia, quem sabe...
Toda essa poesia de esvair do meu ser,
Sumir, vasar por entre os olhos, poros e afins?
Neste dia, não restará nada além do meu pó,
entristecido adubando algum jardim.
Mas, ainda assim, quando houver a primavera,
E as flores colorirem tudo em azul, amarelo e carmim.
Meu pó outrora entristecido se abrirá em pura poesia.

sábado, 20 de junho de 2015

Depois de Ver... Os Relacionamentos.

Nunca soube como me relacionar.
Acho que por não haver uma cartilha bem descrita, ou um manual ilustrado.

Sempre tive essa ideia utópica de filmes, de que namorados tem que ser parceiros, amigos, companheiros, partilhar das mesmas vontades. Nunca tinha refletido que para isso ser verdade, aquela máxima tão famosa “os opostos se atraem” não poderia se verdadeira. Não há como ser parceiro de alguém se seus sonhos e objetivos são opostos.

Ser amigo da pessoa com quem se relaciona não é uma constante. Não é algo imprescindível para o relacionamento. Hoje entendo. Por anos sempre achei estranho as pessoas se declararem (normalmente no dia dos namorados), dizendo que seus namorados também eram seus amigos. Se alguém é namorado do outro é óbvio que eles são amigos. Ledo engano. Existem por ai, relacionamentos, bons relacionamentos diga-se de passagem, que as pessoas não são parceiras nem amigas.

Eu, nessa ilusão vendida pelo mundo, sempre tentei ser amigo das minhas namoradas, tentar equalizar os gostos, os objetivos. Na verdade, com minha personalidade narcisista e egocêntrica, acabava tentando transformar elas em mim mesmo. Queria falar sobre as minhas séries favoritas, sobre os jogos que gosto de jogar, assistir filmes e discutir sobre eles, ler livros em comum e/ou mostrar a elas todos os livros e filmes bons ou maus que já passaram pela minha cabeceira.

Me dei conta, de que não se relacionar não é assim. Se relacionar tem mais haver com gostar simplesmente de está ao lado de alguém. De curtir o toque e o beijo. Namoros devem ser pautados apenas no prazer de está com a outra pessoa. Que namorar é apenas gostar de está juntos e não de fazer coisas juntos.


Tenho que lembrar de exercitar isso daqui pra frente. Deixar meu narcisismo de lado e parar de tentar mudar as pessoas e o mundo.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Depois de Ver... A Demagogia Nossa de Cada Dia.

Quando terminei o ensino médio, como milhares e milhares de adolescentes pelo mundo, não sabia o que fazer no vestibular. Achava absurdo escolher o que “faria para o resto da vida”, com apenas 17 anos. Mas fui impelido, por minha mãe, professores, colegas, amigos e pelo mundo, a escolher algo.
A solução que encontrei foi saber o que não queria. Sabia que não queria ser médico ou advogado. Sabia que não queria nada das opções que a faculdade da minha cidade apresentava. E, quase que por sorteio, foi eleita a psicologia. Ai  vem o tempo, as dúvidas, as mudanças. E tudo mais.

Mas o fato é que não “escolhi”, propriamente dito. Fui abrindo portas de oportunidades e me apresentando a elas.
Agora, vejo o gigante acordar. O Brasil acordou e está insatisfeito, e com razão, mas não tem o foco, não tem metodologia, nem argumentos. Ele é o adolescente que não quer o que tem, mas não sabe o que quer. A criança que chora por que doí, mas não sabe onde. O perdido que, não sabe para onde vai.

Na geração dos memes, da frase pronta, quase sempre estão fora de contexto, dos 140 caracteres. Sobra tempo para fazer piadas das figuras públicas e falta para a leitura, falta embasamento, falta consciência humana e sobra de egoísmo.

Da era da escuridão ideológica que vivemos na última década, desembocamos em um junho de 2013, no qual milhares saíram as ruas em luta por um ideal. Ou melhor, em busca de milhares de ideais. Cada um com o seu.
E, de totalmente despolitizados, multiplicaram-se por ai desejos de mudanças. Ideais de mundo da cabeça de cada um.

A questão, é que nestes mundos não há espaço para a fome do outro, para a falta do outro, para os erros do outro. Somos uma geração sem empatia. Sem sensibilidades para nada além de cachorros e cantores com voz rasgante.


Somos a  geração do imediatismo. E nessa demagogia nossa de cada dia, cuspimos impropérios narcisistas aos quatro ventos, na espera de likes aprovação.

Depois de Ver... As Provocações

Gosto é do que me provoca;
Do que me inquieta, do que mexe comigo;
Me tira do eixo, da comodidade, do conformismo;
Aquelas músicas que fazem um reboliço por dentro;
Os debates que perturbam o pensamento;
As perguntas que desconcertam;
Os atos que me surpreendem;
É a insatisfação que nos move, é a agua na bunda.

Geneticamente somos feitos para ficar parados,resguardar energia para uma eventual crise.Eu? Gosto é das crises.Me fazem crescer, me jogam pra frente, pra cimaQue me ensinam a nadar. Travar batalhas infindas, interiores e exteriores.Pois é no combate que se desenvolve, é no movimento que se exercita, é na fricção que se excita. A “palavra de ordem é: “não acomodar com o que incomoda”.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Depois de Ver... Que sou um Coxinha Comunista

Não saber em quem votar nesse segundo turno das últimas eleições, acentuou algo em mim que sabia que existia, mas sempre tentava camuflar.

Se o que você está pensando é que sou um indeciso, errou feio. Sou muito bem decidido, o que descobrir é eu sou um coxinha comunista.

Pensar no social, nas melhoras comuns, educação, saúde, segurança, transporte e N outros fatores.
Mas pensar nisso é pensar no social ou apenas no meu direito?
No direito de receber de volta os benefícios que pago, (e muito, diga-se de passagem), através dos impostos.

Sou um crente utópico do bem, sonho com um mundo onde todos podem ter os mesmos direitos, as mesma liberdades, o mesmo poder.
Onde todos podem ter o básico a sobrevivência. E todo o resto deve ser oriundo do mérito de cada um.

Essa escravidão moderna onde os grandes senhores, proprietários de grandes empresas e multinacionais, vivem em seus impérios de dinheiros, muitas vezes sem trabalhar um segundo sequer.
Dinheiro este, fruto do trabalho de milhares e milhares que ganham o mínimo para a sobrevivência.

Alguns acham injusto sustentar os menos favorecido, dirão: “pago imposto para sustentar vagabundo”, “se ganha bolsa família não quer trabalhar”, “ficam só tendo filho para ganhar bolsa”.

Não acho humano, como conceito, pensar apenas no meu bem está e ignorar as necessidades do próximo.
Não me importo em pagar uma parcela dos meus ganhos para ajudar a botar comida na panela de outro animal, quanto mais de um ser humano.

Eu gosto de comer filé, mas prefiro comer carne de pescoço e saber que estou ajudando a dar ao menos farinha seca para alguém que nem isso tinha, do que comer meu delicioso bife e fingir que ninguém mais existe.


O modelo de gestão atual, com certeza está longe de ser o melhor, o ideal.
Mas você há de convir comigo que funciona. Mantem a humanidade viva, e perpetua a espécie. Não estamos pagando luxo para ninguém (além dos políticos) estamos dando o básico para pessoas, e repito, PESSOAS, que muitas vezes não tem o mínimo para sobreviver. Ou que vivem em situações adversas.

Meu desejo de mudança é também comum a todo brasileiro, por insatisfação em alguns pontos. Mas devemos ponderar  e exigir as mudanças pelos motivos certos. Que é melhorar para todo mundo. E não exigir mudança por que uma elite minoria, está ganhando menos milhões.

Vivemos sim, uma crise econômica e política. Mas sobretudo vivemos em uma crise ética, moral, humana.
Uma crise, na qual a falta de empatia é o fator principal, tornamo-nos cada vez mais egoístas e egocêntricos.
A empatia, é uma habilidade aprendida por volta dos 3 anos de idade. Como pode-se haver tantos adultos que não conseguem se colocar no lugar dos outros?

Tá ruim pra ti? Podia estar infinitamente pior para outras milhões de pessoas.

Devemos mudar. Mas pelo motivo certo. Para sermos  mais humanos, justos e solidários.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Depois de Ver... Mais um Ano.

Enquanto me lia, no espelho, vi cada ponto do meu rosto se transformar em palavras. Palavras que escorriam pelo chão e molhavam o apartamento.

No reflexo das poças, via você, em todos os textos, em todos os amores, até em todas as canções, que ouvir e que cantei.

Vi seus olhos me sorrirem, sua boca me falar e suas mãos me afagarem. Vi sua cabeça debruçada sobre meu peito e sorrir. Me vi contigo, e não foram lembranças do passado, foram sonhos e vontades reprimidas.


Enquanto me via, só li você.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Depois de Ver... O Nascer de uma Paixão.


Quando uma das provas foi recitar um poema e minha então namorada me intimou: “vai, recita um. O pessoal vai gostar.”

Não sei o que me deu, mas levantei a mão. Tímido no fundo do ônibus todos me olharam, a minha equipe, agradecendo minha coragem por tentar, os adversários, olhavam pensativos imaginando qual tipo de merda sairia e que só precisavam tentar algo um pouco melhor.
Eu!? Me perguntava o por que ter levantado a mão.
Rapaz introvertido, criado no interior, que pouco conhecida da vida e do mundo, mas sempre apaixonado pela literatura desde a infância. Dado ao drama, costumava decorar pequenos poemas, músicas e textos. Que recitava para si, nunca no espelho, nunca gravado, tinha uma  espécie de medo da própria imagem e do som da própria voz. Mas levantei a mão, e ao terceiro segundo de silêncio, a minha voz se sobrepôs ao barulho do motor e como que cuspida em angustia a poesia saiu.

Um belo texto de autoria desconhecida, que havia sido recitado por Chico Anysio. A particularidade do texto? Todas as palavras dele iniciava com “M”.

“Mundo moderno, marco malévolo...”O nervoso foi usado para dar emoção ao texto. As palavras iam brotando da garganta sem ao menos perceber. “...manahazinha, move muinho. Moendo macaxeira, mandica...”.

Uma após outra vão deslizando pelo ar e sendo comportada por ouvidos atentos. ”...muitos migram, macilentos, maltrapilhos...” e enfim   “... mundinho merda.” Com voz embargada, olhos cheios de lágrimas que não caíram.

Foram aplausos de todo um ônibus. Cheios de universitários rumo a uma viagem de férias, foram trazidos a uma dolorosa realidade naquelas palavras. Mas o olhar ao meu lado de admiração e felicidade era algo impagável, incomparável  e sublime. Sobretudo para um leonino como eu.


Foi assim, que não mais conseguir controlar minha paixão pelo teatro.

domingo, 13 de abril de 2014

Depois de Ver... As Minhas Repetições.

Como posso esperar que algo mude?
Como posso ansiar por mudanças, fazendo sempre as mesmas coisas?


Como posso esperar, repetindo os erros, os pensamentos e até as queixas que sempre me acompanharam?


Me entregando ao tempo ou a passagem dele, na improdutividade da tv.

Como quero que mude? Se contiuo a dormir, continuo a não ler, continuo a não aprender, continuo a não tentar. Como?


Tendo a não dar seguimento nos projetos, a não me exercitar, a não treinar minhas poucas habilidades, a não fazer.

Depois, aguardo ansiosamente que, por mágica, minha vida mude.


Que de repente tudo ganhe um sentido e um objetivo. Que por decreto mijhas vontades sejam satisfeitas.


Que eu aprenda que sou.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Depois de Ver... Se Era um Sonho.

Sabe aquela tarde? A música, o sorvete, a camiseta, os lábios, os cheiros, os beijos? Sabe?? Acho que nunca aconteceu. Terá sido um breve devaneio, um sonho, uma utopia?

Esteve só por todo tempo, alucinando coisas belas, planejou sozinho futuro a dois, envolveu o vazio com os braços, beijou a própria mão. Seria trágico se não fosse cômico, deprimente.

O cheiro nos lençóis, a camisa jogada ao chão? Terá sido mesmo um sonho? Será mesmo que alucinei aquelas risadas, aqueles olhares?

Foi doce, mas foi um doce sonho que, o laranja por do sol, levou consigo. E a noite, ao sentar na varanda, olhando o horizonte e pensando sobre o que tinha ocorrido.
Viu os belos pássaros, sentados no muro ao lado, inquietos e doces. Tinha ficado ali toda à tarde, olhando pela janela. Podiam ser testemunhas do que ocorrera. Seriam eles que me provariam que tudo tinha ocorrido e que nada fora fantasia. Estavam ali, sentados, como se contemplassem de forma diferente a beleza do mundo.

Fez menção de abrir a boca e perguntar, quando o sorriso se desfez, viu voar os pássaros tão rápidos que não soube dizer se voltariam.


Ficou só, com sua dúvida e um violão. Pôs-se a cantar.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Depois de Ver... Lembranças de um Setembro.

Ainda lembro de cada segundo de setembro.

Confesso que ainda lembro de ti.

Do teu cheiro, do teu gosto, da tua voz.
Dos teus lábios.

Só não em atrevo dizer em voz alta.

No máximo escrevo essas mal traçadas linhas, para que se perca no esquecimento.

Por que não te digo isso? Para que não ria de mim. Sou assim, sentimental. Mas orgulhoso.

Por que sou assim, e acho que isso nunca te agradou.

Sou assim e nunca tentaria sozinho.

Mas saiba que o setembro nunca saiu da minha mente.

Quem dera ele se eternizasse.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Depois de Ver... O Acidente.

O que passaram por mim foram dezenas de nostalgias. Passaram a toda. Vi sentimentos se atropelando na minha frente.

Reduzi a velocidade, tentei virar o rosto, tentei ignorar os destroços e não consegui. Parei o carro logo à frente e desci para ver o acidente.

A cena era dantesca, pedaços de saudade por todos os cantos, as lembranças todas férias e arranhadas. Amores tão machucados que mal dava para reconhecer.

Nem os medos e as dores passaram em puni, alguns caídos, nem sei se ainda viviam, outros tão feridos choravam desesperadamente, muitos esfolados, com rostos desfigurados, alguns sem braços e pernas que eu duvidava que pudessem sobreviver.

As dúvidas corriam de um lado para outro com olhares espantados, as tristezas deitadas quietas em um canto, mal dava para saber se estavam machucadas ou não. As alegrias riam desesperadamente de nervoso.

A que estava em melhores condições era a esperança. Que tentava em vão reanimar uma paixão desmaiada em um canto. E foi em meio a esse caos que cometi, talvez, o meu maior erro. Me pus a ajudar a esperança em sua missão de salvar a todos. Começando por aquele pobre paixão desfalecida em minha frente.

O amor próprio gritava para que eu me afastasse, e a solidão, minha única companheira de viagem, sentada confortavelmente no banco do carona, olhava a me recriminar.

Mas contrariando ambos me empenhei em ajuda ao máximo para reviver a paixão. E quando tivemos sucesso e seus olhos se abriram, no mesmo instante eu a reconheci e fui reconhecido. Ela, ao me ver tão próximo levantou sua mão em reflexo e a rompeu em minha face, e em um só salto, levantou-se e correu estrada a fora.

A esperança ao meu lado, desculpou-se comigo, ao ver meu olhar atônito e seguiu fazendo seus salvamentos.

A dúvida agora mais calma, sentou-se ao meu lado e me perguntou:

- O que fará agora? Vai atrás dela? Vai continuar tentando salva-los ou vai seguir o seu caminho com sua companheira de viagem?

Fui sincero em responder:


- Não sei.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Depois de Ver... A Mancha.

“Bom... Pode entrar a casa é minha, mas pode fazer as mudanças que quiser, só por favor não mexe nas minhas bebidas. Vou precisar saber onde elas estão depois que você se for. 

E também não faz carinho na gata. Depois ela fica mal acostumada.
Levar ela!? Nem pensar. É minha única companheira. A única que vai e volta, e que aguenta minhas manias. Compartilhamos, eu com as minhas ela com as dela. Ela toma sol pela manhã, eu tomo vodca. Ela só come um tipo de ração, eu só bebo uma marca de suco. Ela sai e volta quando precisa de algo, eu só saio quando preciso de algo, como simular conexões. Somos assim, cada um com suas manias e suas manhas. Nos aturamos, felizes de certo modo.

Achou bagunçado? Pois é! Nem tento mais arrumar, cada uma que passa acaba deixando coisas diferentes, levando um tanto embora.

Que manchas são essas? Hummm Foi uma das primeiras que passou que acabou fazendo isso. É a única coisa que acaba ficando, não por escolha minha.

Limpar? Claro que pode. Até deve.
Na verdade é o que todas dizem, logo quando chegam, que vão começar limpando essas manchas. Mas acabam colocando moveis encima para esconder e acaba ficando por isso.
Mas pode limpar sim. Até ajudo.

Se eu gosto?
Claro que não. Mas estão ai. Não posso fingir que não existem.

Até jogo água sanitária de vez em quando. Mas acaba borrando mais, e o cheiro nunca sai. Ai acabei desistindo. Pelo menos tem uns desenhos diferentes.

Se era um retrato? Não exatamente.
O que era essas asas!? Tem asas ai? Não lembro. Enfim... Dá para esquecer essas manchas e se concentrar em mim? No que eu tô falando?
Como assim eu gosto de lembrar?
Não sai assim... Espera”


Pronto. Lá se foi mais uma. E olha que esta bateu o recorde. Nem ficou pra saber o nome dele por inteiro.
Será ele fatalista!? Não, apenas realista. Se apenas essa machinha a toa causou esse estrago, imagina se ele a deixasse ficar? E quando ela descobrisse a mancha meses depois? Depois dela ter pintado toda a casa, trocado as cortinas, mudado os móveis de lugar... E então, depois de tudo isso, visse a mancha e resolvesse ir embora!? Não seria pior?
Seriam novas paredes para pintar, mais litros para secar e muito mais alvejante, na tentativa de tirar as antigas manchas e as novas deixadas.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Depois de Ver... Que Retrocedo Sim!

Retrocedo sim!

Com pesar e confirmando a minha natureza.
Retrocedo sim.
Sou fraco, covarde, tenho milhões de medos e sofro de ansiedades mil.
Tenho um punhado de neuras e de passados mal resolvidos e odeio sentir dor.
Sou um humano adulto e que morre de medo de vacina.
E bem por isso, retrocedo sim.
Um homem frágil, que foge dos o padrões sempre que possível, geme de tanta insegurança.
E retrocedo, bem por acreditar demais, por fantasiar demais, e por ter ido tão longe, tenho que voltar, sempre e de novo.
Pois passou o tempo de ser sonhador, passou o tempo de se fantasiar e ir à lua de navio.
Passou o tempo de ser o herói, o mocinho, o astronauta da idade média.
A solidão da alma agora já corroeu as finas camadas do que havia por dentro. Passou o tempo de brincar de marinheiro com o amigo imaginário.
Por isso... Retrocedo sim!

Porque solidão, só é boa quando é da própria vontade.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Depois de Ver... As Implicações de Ser Minha.

Implica, e muito. Principalmente em não implicar.

Também tem que andar ao meu lado
Não serve alguém pra me puxar ou pra eu arrastar.
Ah... E nunca deve titubear, mentir ou enganar.
Nem se entupir de medos para na hora de fazer, acontecer, de sonhar.
Raízes? Só se forem aquáticas. Nada de chão ou terra para prender.

O mundo foi feito pra ser descoberto,
E esta total disponível para viver.
O passado nos faz, mas não deve nos limitar.
Ou tolher e inibir.

Tá ai todo o mundo, inteiro, disposto a se seu, meu, nosso.
Não há língua, distância ou barreira que impeça.
Não há balança, fita ou palmo que nos meça.

Há de ser a eternidade o nosso tempo,
O imprevisível o nosso caminho,
O infinito o nosso lugar.

É para se eternizar, para correr descalço,
Sorrir pra os gatos, pular com os cachorros.
Gritar sem receio e amar... Sim. E por que não?
Amar!!!

Amar aos outros e a nós mesmos. Amar mais e outra vez.
Até que se canse, até que as forças abandonem o corpo.
E ai então, é hora de descansar,
Para que na manhã seguinte possamos correr outra vez.

Implica em tudo isto. Em querer viver.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Depois de Ver... Que Sou Artista

Definitivamente eu estou no ambiente errado. Não julgo e nem condeno quem acredita que silêncio é a postura ideal no trabalho e acha que o mais importante é a busca por pela produtividade, por número, por dinheiro. Só que esse ambiente não é pra mim.

Nunca daria certo em ambientes corporativos. Se eu fosse proprietário de uma empresa, eu ficaria orgulhoso em ver meus funcionários “perderem” minutos ou horas, todos os dias, lendo jornais, revistas, site de notícias... Ficaria feliz em ver funcionários instruídos, informados, porém não só sobre as fofocas dos atores televisivos, mas também sobre as notícias do mundo, políticas econômicas, enfim, consumindo todo tipo de informação.

Mas isso sou eu, essas seriam minhas ações como gestor. Vai ver é por isso que já não sou um, porque o mercado não busca isso, não está disposto a informar seus colaboradores e consequentemente não permitem que se informem. Mentes instruídas pensam, questionam, buscam seus direitos e buscam um mundo melhor. Satisfação dos colaboradores custa dinheiro e como já ficou claro, qualquer perda de dinheiro vai contra os princípios do capitalismo.

Como ouvi certa vez de uma superior: “vocês não estão aqui pra fazer amigos”. E com tudo isso eu concluo, que estou no ambiente errado. Eu me preocupo demais com o bem estar do funcionário, considero mais importante e mais produtivo ter um colaborador feliz e um ambiente harmônico, do que qualquer outra coisa. Para mim produtividade é consequência de tudo isso.

Mas o que posso eu falar sobre ambiente corporativo, eu sou um artista.


Só tenho que decidir, “ou eu mudo de vida, ou mudo meu jeito de pensar”.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Depois de Ver... O que é a Poesia.

O que é a poesia senão o que me enche os olhos, com o que há no coração?

terça-feira, 25 de junho de 2013

Depois de Ver... O Sorriso.


Oh, encantadora alma
Sorriso sabor de mel
Em tua infinita calma
Seus lábios me levam ao céu.

Tu, que minhas manhãs encanta
Em seu passar tão displicente
Enche meu peito e acalanta
Alegra-me sem esta ciente

Tu saberás um dia
Por misteriosas flores
Que era eu que te sorria

Tu é mais que meu querer.
Por ti morro de amores
Sem chegar ao teu saber

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Depois de Ver... Amor de Filme.


Passei a refletir: “o que estou tratando com prioridade?” e me deparei com um “eu” idiota, que mais uma vez tratou de afastar quem bem-me-quer, quem gosta de mim, por simples capricho. Por querer acreditar de verdade, lá no fundo, nesse amor de filme. Por querer acreditar que eu posso esperar cair do céu minha “soul mate” ou que vou encontra-la na próxima fila do banco, no caixa da livraria, cruzando comigo no supermercado, ou vai bater na minha porta falando ser a nova vizinha.

Não cumpri o que tinha prometido a mim mesmo, de seguir a letra de Caetano a risca e só gostar de quem gosta de mim. Fiquei na esperança de encontrar meu sonho utópico, minha cara-metade, sozinha na fila do cinema, de regata e calça jeans com seus longos cabelos negros e seu óculos. E quando isso acontecer ela virar para mim com um sorriso e dizer: “será que esse filme vai ser tão bom quanto o livro?”.

Mas na verdade sei que isto nunca vai acontecer.

Mas acabei deixando passar pessoas maravilhosas na minha vida, por querer, lá no fundo, acreditar nesse ideal.