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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Depois de Ver... Humanas X Exatas

A área de ciências humanas vista como inferior ou fácil. Já pararam para pensar?
É fato que somos seres sociais. Mas viver em sociedade permite que se considere especialista no ser social? Seria o mesmo que dizer que uma recepcionista de hospital está habilitada a dar diagnósticos médicos apenas por passar horas dentro de um hospital.

Porém, é comum no dia-a-dia pessoas comuns debaterem falarem e pensarem sobre temas como sociedade e indivíduo. O que não ocorre com a mesma frequência com cálculos matemáticos, por exemplo. Concordo que os indivíduos têm , de certa forma, propriedade para lidar e opinar sobre questões sociais e humanas simplesmente por serem humanos, mas daí contestar e contradizer estudiosos da área com o simples argumento de que faz parte da sociedade, considero um pouco de exagero.

Não é comum matemáticos, físicos e geógrafos fazerem apontamentos em relação a doenças ou a diagnósticos médicos. Ainda que sejam eles os pacientes. Nem vemos médicos, apontando sobre cálculos matemáticos ou questionando os fundamentos ou estudos da física. Então por que se permite que estes profissionais opinem, determinem e ditem as regras da metodologia pedagógica e a construção do saber?

Notem que quando faço este apontamento, não falo sobre licenciados em disciplinas, mas também daqueles que estudam, atuam e pesquisam sobre a área em questão.

Ser da sociedade, te dá o direito de opinar, reivindicar e até questionar certos fatores sociais. Porém não permite que você determine parâmetros sociais. Na educação ocorre o mesmo. Metodologias educacionais devem ser formuladas e consideradas por profissionais e estudiosos da pedagogia e afins.


Sou um partidário da ideia de interdisciplinaridade dos conteúdos e círculos de saberes. Um profissional da área computacional, por exemplo, pode e deve auxiliar na área médica para otimizar o serviço de saúde, mas o parecer deve ser dado por um médico ou profissional da área.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Depois de Ver... A Política.

O poder é uma das instituições mais velhas. Desde que o homem passou a viver e conviver em sociedade, tornou-se necessário a instituição de poder. De modo a balizar e equilibrar as relações.

Muitos fazem questão de bradar o quanto odeia política, porém, esquecem de pensar que somos políticos cotidianamente. Somos políticos ao negociar com os pais o horário para chegar. Até os contatos com amigos e conhecidos. As relações de poder estão em todo viés da sociedade e negá-las é como ignorar a existência do obvio. E esta estrutura por si só não denigre ou destrói o meio social, o mal está em sua interação com o homem. 

Em seu livro recente (2015) o sociólogo alemão, Zygmunt Bauman nos faz uma intrigante pergunta: “A Riqueza de Poucos Beneficia a Todos Nós?”. A pergunta que dá nome a obra, nos remete a uma reflexão sobre as relações de poder da sociedade atual. Em seu livro o sociólogo nos leva, com maestria por uma viagem em dados e informações, que não responde, mas nos leva a mais e mais questões deste cunho.

Na minha opinião, resposta para esta pergunta nos é dada de forma concisa e brilhante por Luís Fernando Veríssimo, na sua coluna do dia 17/07, através da citação popular americana que diz “...é só deixar os ricos se lambuzarem que alguma coisa sobrará para os outros...”, mas ele completa “...aqui (no Brasil) não funciona. Aqui funciona um complexo no modelo americano, com a diferença que nada escorre desse pote de melado. ”

O que nos leva a crer, que o poder, a desigualdade e as diferenças sociais existem e são constantes nos agrupamentos sociais de qualquer ordem. O que difere é seu nível e peso sobre a construção do cidadão.

Com a proximidade de mais uma eleição, vale nos questionar sobre as escolhas dos que nos representarão nos próximos anos. E entender a importância social que a política tem em nosso cotidiano, não tenha raiva do jogo, odeie os mau jogadores. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Depois de Ver... A Desertificação dos Espaços Públicos.

Um grande benefício, que o Pokemon Go pode ter trazido para o mundo, pelo menos no primeiro momento, é um povoamento das ruas. Uma estagnada no processo de desertificação dos espaços públicos. Que é um dos fatores que propiciam a violência.

O que nos leva a refletir sobre o processo de desertificação dos espaços públicos. O isolamento facilita a ação de assaltantes e criminosos, gerando medo dos moradores em relação aos espaços. O que torna o efeito cíclico e infinito, no qual o medo do perigo reforça o isolamento, e o isolamento por sua vez propicia o perigo.

O medo da violência, levou e leva, pais a isolarem seus filhos e filhas em casa, ou dentro dos muros e grades dos condomínios, amparados e apoiados pelo desenvolvimento tecnológico e da comunicação, que tem o poder de trazer o mundo para dentro dos lares.

O objetivo aqui não é ser saudosista e dizer que antigamente o mundo era melhor pelas crianças poderem ir para as ruas brincar de bola ou pique-esconde. A reflexão que trazemos para este espaço é que talvez nas novas gerações, a ideia de ir para a rua pode se tornar mais atraente através de ferramentas tecnológicas como essas. E a tecnologia de realidade aumentada pode ser uma excelente ferramenta educacional quando bem utilizada. Além de trazer para a rua as pessoas de bem que hoje costumam se trancar em suas fortalezas gradeadas.

Os espaços de convivência comum, hoje voltam a ser ocupados pela população de maneiras distintas das que vivíamos décadas atrás, como a nova comida de rua dos foodtrucks, tomando o lugar dos tradicionais espetinhos ou do pipoqueiro.


Deve-se atentar para a nova transformação pela qual a sociedade passa. E retomar, seja como for, os espaços das ruas, praças e avenidas. E nesta pós modernidade, na qual mesmo em casa as pessoas tem seus  próprios celulares, computadores , e televisores, e quase não se conversam, talvez, a tecnologia, que vem nos afastando a décadas, e tornando os relacionamentos cada vez mais frágeis e efêmeros, seja o mesmo fator a aproximar as ilhas que nos tornamos.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Depois de Ver... Que a Escrita Não me Assusta

Encontrar a sua missão de vida e identificar as suas paixões são ferramentas importantes para o desenvolvimento pessoal. Pesquisar, estudar, ler e produzir sobre assuntos de seu interesse se tornam muito mais prazerosos.

Identificar estes padrões e gostos pessoais é parte essencial para o crescimento. Quando pesquisamos sobre algo que gostamos, horas de pesquisa podem parecer minutos. E ainda que o seu gosto seja considerado algo bobo como filmes ou jogos, tudo ajuda no processo de aperfeiçoamento pessoal de técnicas de estudo. Ou seja, ter o costume de pesquisar sobre filmes, torna o ato de pesquisar comum, e quando necessário realizar pesquisas de cunho acadêmico este comportamento já está internalizado.

O mesmo ocorre com a leitura. Não há leitura ruim, inferior ou de menor valor. Todas, seja ela, romances pops, quadrinhos, bula de remédio ou lista telefônica, ajudam a construir hábitos de leitura e desenvolver a capacidade e velocidade de ler (decodificar e interpretar as palavras).

Quanto a escrita, sempre achei que tivesse um tanto de inspiração. Que livros saíam prontos das cabeças dos escritores. Que as palavras corriam soltas para o papel, se aglomerando até formar os livros, poemas e textos dos grandes e pequenos nomes da literatura.

Para mim, a escrita era como um desabafo, uma fuga da realidade. Um esvaziamento das angustia. Era algo preso que via por meio das letras sua forma de transbordar. As palavras mexem comigo com frequência, fluxos de pensamentos recorrentes, que muitas vezes só se esvaem quando escritos.

Só recentemente, passei a olhar a escrita como uma prazerosa obrigação. Uma espécie de legado, uma contribuição. Como uma forma de se eternizar. Logo eu, que por tanto tempo considerei a eternidade como um peso exacerbado para se carregar, uso hoje as palavras para me eternizar. Hoje percebo que o processo de escrita é um exercício, um treinamento, uma atividade que é aperfeiçoada e melhorada com a prática.


A escrita, sobretudo é um exercício de leitura, de pesquisa, de consumo, remodelagem e criação de informações. É ler o mundo e recontá-lo à sua maneira.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Depois de Ver... Alunos Graduados em Professores.

A leitura está pouco presente na vida de nós brasileiros. Mesmo a internet, que tem o caráter de democratizar o acesso e a construção de conteúdo, são focados nos materiais visuais e muitas vezes de pouco conteúdo reflexivo. São pacotes prontos de informações já mastigados, e às vezes até já digeridos que exigem pouco do receptor para consumí-lo.

Os famosos textões são vistos com distanciamento, porém, toda e qualquer leitura de mais de um parágrafo é tratada como chata e indesejável. E as redes sociais que deveriam funcionar como incentivo à leitura, trazendo textos leves, informativos e atrativos, colocando a leitura e reflexão como rotina na vida dos usuário, acabam por não funcionar desta forma.

E nos ambientes acadêmicos a rotina se repete, o que se vê, são universitários, que passam todo o curso sem ler. Muitas vezes nem mesmo os materiais, livros e apostilas indicados pelos professores. Como diria o professor Vinicius Lousada, concluem os cursos formados em professores, em apenas uma corrente teórica, e não nas matérias de estudo.

No meio social, o leitor é visto como desocupado como um chato, e a leitura é considerada como uma atividade chata e maçante, estudar é tratado como castigo pelos pais, “se não se comportar na rua, na próxima vez vai ficar em casa estudando”. Como vamos formar leitores e pensadores deste modo?

Expandir horizontes é essencial. Apesar do ensino normativo, ver com maus olhos a educação horizontal e plural, na prática (tanto docente, quanto mercadológica) a interação entre áreas de conhecimento são extremamente necessárias. Diria que tão necessária quanto a especialização. E uma das formas de alcançar este estado é a leitura extracurricular.

Todos temos múltiplos temas de interesse, e fazer links entre esses temas é extremamente produtivo. Como unir a tecnologia com medicina, por exemplo, nos permite hoje ter cirurgias realizadas a quilômetros de distância através de controle remoto. Com segurança e rapidez.

É erro nosso responsabilizar, apenas as grades curriculares pela intersecção de cursos, através da inserção de matérias de outras áreas de conhecimento. Seria como esperar aprender com o que o outro leu. Ou seja, que apesar de possível, passa a ser uma compreensão do conhecimento do outro e pouco há de reflexão ou construção lógica do conhecimento adquirido, como ocorre com a busca pessoal de conhecimento. E nesta busca, um dos métodos mais simples e comum é a leitura.

Um dos desafios do mundo hoje está em conseguir passar às próximas gerações uma paixão que pouco nos foi passada, que é a leitura, e isso em meio a uma concorrência, quase desleal, com um mundo de informações entregues de bandeja, para nossa absorção superficial e passiva.


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Depois de Ver... A Lista de Notáveis

Andei fazendo uma lista mental de pessoas que admiro. A lista chamava-se pessoas a seguir. Não me compreendam mal, não é seguir no sentido de perseguir, nem muito menos seguir nas redes sociais, apesar de ter algumas linkadas em minhas redes. O sentido de seguir que me refiro é acompanhar o trabalho, ouvir, ler, ver tudo quanto for produzido por essa pessoa, no sentido artístico e profissional.

Perceba que em nenhum momento falei em aceitar tudo vindo dessas figuras. O objetivo é me familiarizar com a obra do autor em questão e avaliar por minhas próprias percepções. Mas entendi que as figuras listadas, apesar de pertencerem a diversos seguimentos, como literatura, fotografia, cinema, ciências, economia, etc., todas elas possuem visão de mundo, seja política, religiosa ou social, pelo menos em algum ponto similar a mim.

Com essa análise, me deparei com algo que considerei um problema. Se afasto ou negligencio pensamentos divergentes do meu e me retroalimento apenas de ideias que convergem com as minhas, passo apenas a reforçar os meus próprios conhecimentos e me fechar para outros pontos de vista divergentes. Considerando apenas saberes similares como verdadeiros ou dignos de atenção.

Passei então a ponderar que devo buscar também referências com pensamentos que sejam distintos do meu padrão, para só então expandir a mente e chegar a conclusões que fogem do óbvio. Parafraseando a frase popular atribuída a Einstein, é loucura beber sempre das mesmas fontes e esperar sentir novos sabores.


Por fim a conclusão que cheguei é que não importa o peso da sua lista de notáveis, o importante mesmo é a pluralidade dela. Por que só assim, conseguirei ser livre, ético e exercitar mais a empatia.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Depois de Ver... Que Todo Mundo é uma Ilha.

Tem um velho ditado árabe que diz: “O que acontece uma vez, pode não acontecer duas vezes. Mas o que acontece duas vezes. Certamente acontecerá uma terceira. ”
Isso diz muito sobre a nossa essência humana. Até nossas dores cotidianas passam a ser mais toleráveis quando são frequentes. Nos acostumamos tanto com o mundo que nos cerca que passamos até a não ver.

A alta exposição a um elemento, pode gerar insensibilidade. É possível fazer um teste simples, imagine você caminhando no shopping e se deparando com um morador de rua deitado no canto. É o que ocorre com a invisibilidade dos moradores de rua, a presença deles é tão comum e familiar que não nos causa mais estranheza. Mas se por ventura ele for inserido em um ambiente ao qual não é rotineiro (como um shopping) passa a se destacar e a chamar atenção.

O excesso de informação também pode nos cegar para umas tantas coisas. É um desafio enfrentado pela publicidade, pois com o excesso de outdoors, placas e luminosos na rua, passamos a não ver (ou prestar atenção) a nenhum deles. Mas é também um desafio para as pessoas no cotidiano, conseguir obter conhecimento neste punhado de informações que se tem, de todo lugar e a todo tempo.

Isso se chama saturação. Ocorre o mesmo com nossos olhos quando ficamos exposto a uma cor (ou luz) por algum tempo. Ele passa a colocar uma sombra, com a cor complementar, sobre a luz a qual somos expostos e passamos praticamente a não ver aquela cor.

O que ocorre com a nossa psique é que passamos a ser menos sensibilizados com o que vemos com maior frequência. Mas qualquer coisa fora do padrão, volta a se destacar. O perigo que mora nesse processo é que assim, pode-se passar a considerar o que é comum como certo. E daí até passar a praticar ou defender tal ato basta apenas uns passos.

Daí a proibição de certo tipo de filme, para crianças e adolescentes. O adulto, no geral tende a conseguir diferenciar melhor algo que por mais que seja comum de ver, continua sendo certo. Já a criança que ainda não tem seu senso moral totalmente desenvolvido pode vislumbrar isso como normal e internalizar a violência, por exemplo, como algo correto. Para muitos adultos pode parecer ridículo, mas assim com as crianças veem o Papai Noel como algo que existe. Filmes e desenhos para elas também são retratos da realidade, ainda que você diga o contrário.

Saramago em um de seus contos fala que “é necessário sair da ilha para ver a ilha”, ou seja, deve se ter uma avaliação crítica e tentar olhar o macro da situação. Em compensação, eu completo, é preciso entrar na ilha para conhecê-la de verdade. Não é possível avaliar com clareza e cuidado a pele dos habitantes da ilha se não se colocar na pele deles. E ainda assim, seria uma visão superficial, pois apenas quem viveu na ilha toda uma vida pode ter uma ideia dos benefícios e dificuldade que a ilha representa.


Daí a provocação que quero fazer. Com isso, instala-se um paradigma, quanto mais se olha para algo, menos se vê, em contraposição, só se consegue conhecer realmente algo olhando cada vez mais. Portanto, se distanciar em certos momentos pode ser necessário para não nos tornarmos insensíveis ao mundo que nos cerca.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Depois de Ver... A Aceitação dos Pontos de Vista.

“Até aceito, mas se adequar-se à minha realidade”.

Há um desafio implícito em toda relação social no mundo, o meio termo, o equilíbrio, o respeito. Aceitar as diferenças do outro é um desafio imenso para qualquer um, imagine então para um pai ver diferenças de comportamento entre ele e o filho, algo que para a maioria é praticamente inaceitável.

Ser pai, em nossa cultura ocidental está mais ligado ao processo de eternização de si mesmo do que qualquer outra coisa, como o processo natural, ou a perpetuação da raça humana. A perpetuação de si ou mesmo um desejo dúbio de imortalidade, estes sim são motivos mais críveis para o processo de maternidade e paternidade em nosso mundo.

Tentamos criar nossos filhos como extensão de nós mesmos, como cópias carbono no qual identificamos as nossas próprias características, “olha como é a cara do pai”, “o nariz é da mãe com certeza”, “o gênio deste aí vai ser igual ao do pai quando crescer”.  Com isso temos uma imposição de regras e paradigmas ao outro e a nossa descendência que pouco deixa espaço para respeitar a individualidade ou mesmo verificar novos pontos de vista.

Há uma escravidão mental à uma ou várias ideias já consolidadas, que nos impele em direção a pensamentos estabelecidos. Mesmo estes nem sempre sendo corretos ou mais adequados ao meio ou mundo em que vivemos. E junto a isso, é comum tentar passar à própria descendência seus preceitos.

Mas não se engane, há uma grande importância em passar à prole suas opiniões e a noção de moralidade, deve haver também uma herança cultural, no desenvolvimento infantil. Mas vale ressaltar que toda a sociedade é responsável pela criação e desenvolvimento da criança, direta ou indiretamente. O que a criança ouve, lê ou assiste, seja em casa, escola ou na rua e até mesmo a opinião dos colegas e amigos, são interferências em sua formação pessoal, ética e moral.

O grande dilema se instaura quando esta influência externa, vai de encontro a ideologia e educação aplicada pelos cuidadores. E essa se agrava quando os mesmos não conseguem lidar com a gestão destes conflitos e tratam essas discrepâncias através da simples rejeição e não pelo debate.

Tratamos o diferente sempre como o mal. Mas como disse Sartre em uma de suas mais famosas obras: o inferno é o outro. O demônio é tudo que difere das minhas certezas e convicções. A pouca tolerância ao que nos é diferente, nos faz desconhecer saberes que muito ajudariam na nossa formação pessoal. A consolidação de certezas nos tolhe o desenvolvimento, de modo a nos cegar para a visão do outro, que muitas vezes está tão perto.

O processo empático é um desenvolvimento pessoal, que cabe apenas a nós mesmos. E aceitar opiniões divergentes das nossas, principalmente dos nossos filhos, faz parte deste processo, ainda que seja algo tão difícil de lidar.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Depois de Ver... O Ditar do Mundo.

No meio do século passado, o psicólogo humanista, Abraham Maslow propunha a pirâmide das necessidades. Nesta teoria, a necessidade de liberdade (segurança, socialização e autoafirmação) é menos importante na hierarquia de Maslow do que a necessidade básica.

Talvez o humanista tenha um fundo de razão para explicar o apreço de algumas pessoas pelo regime militar. Como o regime ditatorial detinha a política de alimento e “segurança” para todos. Muitos tendem a considerar este modelo como o ideal de sobrevivência. Pois é sabido que economicamente o país passou por uma fase de estabilidade durante o período. Mas a que preço? Ao preço da liberdade, a ideológica e mesmo a de ir e vir.

Mas segundo a teoria de Maslow, em modelos assim, a população dificilmente conseguiria alcançar a auto realização. Pois a necessidade de estima e de socialização ficavam comprometidas no processo. E assim, a ditadura teve seus embates com parte da população que conseguiu subir os degraus básicos da pirâmide. E saciadas assim todas as necessidades básicas e de segurança, o povo viu-se carente de socialização. Pode-se acreditar que a busca por esse processo que impulsionou as revoltas populares.

Traçando um paralelo com o regime fascista abordado na obra 1984 de George Orwel, o poder vive em uma luta constante para manter grande parte da população subindo e descendo nos dois primeiros degraus da “escada” (necessidades fisiológicas e de segurança). Para que assim não se criem necessidades de se relacionar, de se auto afirmar ou de pertencer a um grupo. E com isso consegue manter-se por anos no poder com a população sobre controle. Enquanto que no livro de Orwel o Grande irmão consegue desenvolver essas mudanças de forma satisfatória, a ditadura não conseguiu repetir o mesmo feito com a população, que passou a subir os demais graus da pirâmide.

E exatamente o processo inverso que estamos vivendo agora. O povo com liberdade, com socialização, porem muitos começam a sentir dificuldades para saciar necessidades básicas. Com a alta Inflação, ao aumento do desemprego, a saúde em risco e a alimentação faltando no prato de tantos brasileiros. Faz o que muitos voltem a pensar em trocar a liberdade que possuem pelos bens mínimos com saúde, comida e segurança.

Mas a força motriz, talvez o principal interessado pela volta a ditadura, seja alguns empresários que muito se beneficiavam no período e hoje não podem mais explorar a mão de obra sem pagar o preço justo pelo trabalho.

Outro artificio usado pelos militares, que podemos pontuar, foi a internalização de argumentos claramente contraditórios. O duplipensar, como é chamado na literatura de Orwel, consiste em pegar conceitos antagônicos e usa-los como similares. Como por exemplo:  “Ele matou, por isso merece morrer.”, “O mundo está em guerra contra aqueles que perturbam a paz.”


O que assusta é o quão algo tão ilógico parece lógico na mente das pessoas. Com a manipulação correta, o resultado da soma de dois mais dois, muda tantas vezes, e tão rápido, de quatro para cinco, nas mentes dos manipulados, quanto um ponteiro dos segundos de um relógio.



quarta-feira, 27 de abril de 2016

Depois de Ver... A Saída do Paraíso.

Há um certo simbolismo na história bíblica de Adão e Eva. Eles foram expulsos do paraíso por saber. Isso mesmo, por saber. Então, de algum modo a religião cristã encara o saber como algo negativo, como o mal.
Qual é o mal de saber? Qual o problema em saber, que fez Deus os renegar apenas por terem adquirido conhecimento?

O saber sempre foi visto como uma poderosa arma, desde o início dos tempos. O conhecimento sobre o meio, sobre si e sobre o outro, proporciona de maneira singular a divisão da sociedade, desde os primórdios. É fato que aqueles que detiveram primeiro domínio (leia-se conhecimentos) sobre o fogo, tiveram vantagens na sobrevivência no mundo pré-histórico.

A questão chega quando o conhecimento passa de apenas uma vantagem, para ser uma ferramenta da opressão. O que o opressor menos espera é que o oprimido saiba. Não querem nem ao menos que saiba que é oprimido. Este conhecimento por si só, já gera um descompasso na hierarquia.

Somos todos Adão’s e Eva’s, sendo expulsos do paraíso que é a infância, quando passamos a conhecer. E passamos a ter a ciência do bem e do mal, quando perdemos a inocência, comum da idade, tudo ganha mais e mais sentidos. A partir daí, nada será como antes.

Somos tirados do conforto de um mundo conhecido, calmo, pragmático e simples. E jogados no olho do furacão, nas inquietações causadas pelo conhecimento. Se é lançado a um infinito de dúvidas, de incertezas, em um mar de agonias onde cada saber, gera uma imensidão de possibilidades.

Porque o conhecimento liberta. Mas além disso ele nos responsabiliza por nossos atos, pelas consequências dele. E quase nunca é confortável ter escolhas a mão, ter responsabilidades. É muito mais fácil ser guiado, ser ovelha.

Na Alegoria da Caverna, Platão observava o quanto era cômodo se manter com seus velhos conceitos, se manter preso de frente para a parede apenas tentando interpretar as imagens do mundo lá de fora. E mostrava o quanto é difícil se encaixar nos moldes anteriores pré-estabelecidos, quando se expande seu próprio mundo. Ou seja, o quanto é difícil conseguir acesso de volta ao “paraíso” da caverna, quando conhece a realidade e faz uma leitura mais próxima do mundo.

Mas engana-se quem considera os livros como a única fonte de saber. O Paulo Freire, já falava que a leitura do mundo é tão ou mais importante que a leitura das palavras. É preciso experiência dos mais diversos olhares e nuances do mundo e agir de forma ativa, reflexiva e crítica para com este conhecimento.


As “imagens” criadas pelas culturas e informações que recebemos durante toda a vida é tão mais cômoda e simples. E não é fácil romper com estes velhos paradigmas, pessoais e sociais com os quais lidamos diariamente. É preciso ter coragem e boa vontade para sair do paraíso, é preciso coragem para crescer.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Depois de Ver... Minorias

Era festa de final de ano na empresa, uma financeira, e resolveram passar um belo e inspirador vídeo institucional da Coca-Cola, feito no Brasil e com atores brasileiros. O vídeo conta a história de uma pequena cidade que está com a ponte quebrada e como os moradores se unem para reconstruí-la.

Olhando ao redor naquela sala repleta de gente que assistia o vídeo, emocionados, percebi nos olhos deles o sentimento, eles se viram ali, representados na telinha por atores globais. Se viram unidos, juntando forças para construir uma ponte de possibilidades. Após isso, o Papai Noel, sorrisos, a festa, mais sorrisos. Todos naquela sala se viam ali. Mas eu não.

Lembrei que somos um país com maioria negra/parda. Mas que esta distribuição não alcança diversos setores. Olhei para os lados e em meio a mais de 100 pessoas e me vi sendo o único negro da empresa. Mas vi a cozinha cheia, os garçons que passavam por mim. Me identificava muito mais com eles. Era onde estavam mais iguais.

Não somos minoria! Segundo dados do IBGE de 2013 a população preta e parda (autodeclarados), já corresponde a 53% da população brasileira. E é bem provável que essa relação tenha aumentado nos dois anos seguintes.

Mas ainda somos minoria, nas faculdades, nos altos cargos do governo e empresas, na política, em cargos ditos elitizados (médicos, advogados). E não somos minorias nos presídios, nas estatísticas de mortos, nas favelas, nas taxas de analfabetismo, nas comunidades em vulnerabilidade social, nas vítimas de homicídio...

Por que somos maioria e ainda assim somos estigmatizados? Por que nas posições privilegiadas da sociedade ainda é de maioria branca?

A resposta está na história, no processo de abolição, que nos tornou livres, mas não deu, estrutura, direitos, dignidade. Está no preconceito, velado e até muitas vezes escancarado que sofremos, sendo medidos por nossa aparência em detrimento a nossas capacidades. São as oportunidades que nos faltam, as portas que são fechadas por nossa cor.

Ainda que a relação entre brancos e negros/pardos no Brasil, demonstre uma maioria de afro descendência, o negro continua sendo o oprimido por aqui. É a esmagadora maioria, embora sejam minoritários na sociedade.

Ainda assim a TV teima em fazer uma TV que não é para mim, que não me é semelhante. E quando o faz, estão em posição de vulnerabilidade. Como se a única opção possível de ser negro seja a do nordestino fugindo da seca, o ladrão, o malandro, o empregado, o amigo pobre do filho do protagonista.

Somos um pais de maioria preto/pardo que tem medo de mostrar que somos negros/pardos. Aceitamos o imigrante europeu que vem, muitas vezes, para a exploração sexual da brasileira, mas não aceitamos o refugiado Haitiano que vem em busca de uma vida melhor.

É importante também não generalizar, há sim negros no poder, há negros na TV em posição de destaque, a questão é que esta proporção não é a mesma da sociedade, e o mínimo que se espera é uma semelhança entre estas grandezas. Lembre-se também que não são todos os brancos opressores, mas vale ressaltar que a sociedade o é. E assim, torna opressor quem, como o negro que consegue uma posição na elite e renega ou se envergonha de sua origem. E isso se percebe de forma sutil, é no alisar dos cabelos por exemplo.

Apesar de achar importante e até desejar isso, não espero que a Coca-Cola faça um comercial brasileiro, com todos os personagens negros, também não seria justo. Mas o mínimo que esperava é que a metade daquele elenco tivesse a minha cor. Assim, quem sabe, pudesse ser tocado pelo comercial como meus colegas foram.

A diferença entre maioria e minoria é grande, mas a linha entre maioria e minoria opressora é tênue. A opressão está impregnada na sociedade. E o negro que consegue acender socialmente tem que parar de ter vergonha da sua cor, da sua origem. E quando diretores, empresários, proprietários, passarem a dar a seu semelhante, a oportunidade que muitas vezes lhe faltou.




“Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor” (Os Novos Baianos)

quinta-feira, 31 de março de 2016

Depois de Ver... O Conhecimento

 "O único patrimônio que ninguém
tirar do ser humano é o conhecimento."
(Lazaro Ramos)



Podem tirar tudo de um ser, roupas, posses, direitos até a liberdade. Mas o conhecimento, é o único bem verdadeiramente dele. É o bem maior e mais duradouro. É a sua maior arma e seu maior escudo. É individual, e único.

Ser capaz de refletir sobre a própria existência e saber que existe, é uma das poucas coisas que nos diferenciam dos outros animais. E é esse acúmulo de conhecimentos e a transmissão de cultura que nos faz tão adaptáveis e evoluídos como seres vivos, e atualmente como o topo da cadeia alimentar. Ser crítico quanto a sociedade e quanto a sua própria existência é o primordial. E para isso, conhecimentos devem ser, não só acumulados, como trocados, transcendidos.

Na concepção da Gestalt, o pensamento da corrente psicológica, tem como premissa que “o todo é maior que a soma das partes”, a soma de conhecimentos adquiridos, por si só, concebe um novo pensamento. Por mais que concorde em partes, considero que deve haver um processo cognitivo aplicado ao conhecimento para a construção de um novo conteúdo, ou uma opinião sobre o antigo. Pontos estes que são premissas da crítica, conhecimento prévio sobre o objeto.

O pensamento crítico, ao contrário do sentimento negativo que a palavra costuma remeter, deve ser pautado na compreensão do todo (ou tentativa de) e do posicionamento sobre o ponto de vista do praticante da ação.

Se todos estes argumentos ainda não te convenceram da importância de conhecer o mundo que nos cerca, adiciono mais um. Se considerarmos a existência eterna como condição primordial, e que há um pós-vida, imagine-se neste outro plano (céu, inferno, limbo, vahalla... seja lá qual a sua crença), o que você terá do lado de lá quando partir? Duvido que seja um terreno comprado com cartão de crédito, ou as vestes e utensílios de ouro com os quais foi enterrado. Se há um pós-morte, a nossa existência lá depende dos conhecimentos adquiridos e experiências passadas em vida.

Imagine-se do outro lado, passando a eternidade falando sobre posts do facebook, ou jogando dama para sempre. Não sei quanto a vocês, leitores, mas considero uma existência bem rasa e vazia de significado.


Se dois mais dois é sempre mais do que simplesmente quatro, vamos somar e agregar mais conhecimentos e visões sobre tudo. Quem sabe assim nosso mundo não fica maior.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Depois de Ver... Que Não Sabemos Formar Leitores (ou Senta que lá vem TEXTÃO)

As crianças são ensinadas a odiar dias de semana. E espera-se que elas trabalhem a semana inteira satisfeita quando crescerem. São condicionadas a odiar os livros. Mas as exigem que sejam leitoras e estudiosas. Este mundo está cheio de contradições e controvérsias. A sociedade de consumo atual ama o novo, o diferente, mas os repelem e repudiam com o mesmo vigor.

A questão do incentivo à leitura vai muito além da necessidade de decorar ou aprender, ela tange muito mais as necessidades de exercitar a abstração e a relação lógica, além de auxiliar o desenvolvimento cognitivo, a criatividade e até a empatia. A leitura também aumenta o potencial para associar e construir ideias, desenvolver boa autoestima e autoconfiança, além de potencializar nossa capacidade para solucionar problemas.

Porém é importante perceber que o incentivo a ela vai muito além de obrigar as crianças a lerem o material escolar.

Ler continua sendo uma das principais ferramentas de aprendizagem e de auxílio ao desenvolvimento humano, sobretudo do jovem. E o que é feito para lhes estimular a ler? Trata-se as histórias em quadrinhos como forma inferior de leitura, não é dado estimulo através do exemplo, obriga-se a ler os materiais escolares, opta-se por filmes dublados, não presenteiam com livros, fecham a biblioteca fora do horário comercial.

Mas você, leitor, pode estar pensando: “mas esses feitos não incentivam a leitura”. E você está certo. É difícil achar posturas, em adultos, que auxiliem ou impulsionem aos jovens e crianças a ler. Não se dá referências, não se fala sobre, não há exemplo, não é dado sequer acesso à literatura. Mas ainda assim, são exigidos delas que leiam. Percebem a incoerência?

O gosto pela literatura, seja ela de qual tipo for, exige esforço, ainda que mínimo, exige concentração, persistência, atenção... Tudo que a maioria dos outros meios de comunicação não necessitam com tanto afinco. Não há grande exigência de concentração, ou de atenção, quando todas as piadas são prontamente entregues no programa de TV. Não há tanta exigência quando são entregues a mais de um sentido (no caso da TV, visão e audição) tudo de bandeja.

Na escrita, a visão é apenas canal de absorção, toda a construção deve ser interna e criativa. A entrega deve ser muito maior. A relação entre significância e significado é outra, cada palavra contém em si um mundo de significados e uma imensidão ainda mais de significância e exige do leitor, a sua interpretação.

Um não leitor não terá uma vida pior ou será diminuído por isso. Mas a leitura liberta da interlocução do outro. Força processos cognitivos que nenhum outro meio faz. Mas não te faz melhor ou pior. Se ler é apenas uma das ferramentas ou métodos para se adquirir conhecimento. Então por que incentivar a leitura?

Porque “Viver sem ler é perigoso, te obriga a crer no que ti dizem” (Quino – cartunista ‘Mafalda’)

Como pais e professores querem que, crianças que tendem a não ler nem sequer coisas divertidas como quadrinhos e histórias, possam ler avidamente textos informativos e didáticos? O ato da leitura é uma prática que poucos tem. Com a prática, seja lá em qual plataforma, a leitura pode tornar-se um hábito. E com ele tudo se torna mais fácil, a escrita, as interpretações do mundo...


Chega a ser absurda essa relação. Exige-se das crianças que leiam e estudem, e tratam o estudo e a leitura sempre como algo chato. Passou da hora de mudar isto.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Depois de Ver... O Gosto Amargo de 2015

Não se engane, o país não está bem e não aponta indícios imediatos de melhora.

Mas há um sensacionalismo velado nas notícias que pairam pela rede afora. Para os que acompanham diariamente as notícias de economia e política. Vai perceber uma triste verdade, as vendas despencaram em relação ao ano passado. A inflação alcançou índices históricos do últimos 12 anos. Mas ainda assim, há esperança. Longe dos 2 mil % de inflação que permearam os anos de 89 e 93. Mas também longe da média de 6% do primeiro mandato da presidente Dilma.

Mas comparar o consumo do ano de 2015 ao consumo de 2014 é o mais adequado? Com certeza é uma das formas utilizadas e tem a sua aplicabilidade. Mas comparar um ano de copa no país. Onde os televisores estavam sendo praticamente doados nas lojas, como no primeiro semestre de 2014, com a realidade de recessão que vive-se hoje, é chutar cachorro caído.

Os créditos sendo fechados, o governo aumentando as taxas de juros para frear a inflação, tomando medidas para não deixar o índice de desemprego subir e a mídia escarnando meias verdades e comparações esdrúxulas.

Só para criticar as meias verdades e as comparações esdrúxulas que o governo atual fez e faz.

Isto é se sujar de lama para mostrar que lama é ruim.

O governo falha em manipular e maquiar informações para manter sua boa imagem. Em não assumir os erros e falhas, em assumir sua culpa e sua falha. E nada justifica isto, nem o sonho utópico de sucesso pleno do plano de governo.

Mas daí, para tratar como uma falha completa, a ponto de romper com nossa legitimidade democrática, para se ater a rixa partidária?

Essa é apenas a quinta eleição direta no Brasil, após a reconstrução da república, e um deles já foi cuspido fora por improbidade.

O povo está sem saber o que fazer com essa liberdade, desacostumado com a democracia. Está querendo resolver sua inabilidade de escolha através do rodízio.

Deve-se perceber que se não gosta de um tipo de carne, não há escolha, e se a escolher, nada de desperdício. Não dá para colocar a carne mastigada no canto do pratinho, pedir um novo pedaço suculento e fingir que nada aconteceu.

Deve-se aprender que o que foi escolhido tem que ir até o fim. E usar o gosto amargo como parâmetro para escolher melhor na próxima rodada.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Depois de Ver... O Desemprego

O Euro está passando por uma crise sem precedentes. A possível saída da Grécia do bloco, desencadearia um efeito cascata que abalaria ainda mais a estrutura da Europa.
O bloco do Euro só mantem a funcionalidade se todo o grupo estiver em sintonia. Mesmo os que são prejudicados pelo processo, precisam se manter nele.
É a premissa básica do capitalismo, para se manter funcionando e eficaz, o capitalismo necessita de todas as cartas na mesa, do dois ao rei. É um castelo de cartas que requer todas elas para se sustentar.
No Brasil não podia ser diferentes, vivemos sobre um sistema democrático positivista, pautados no capitalismo. E este é altamente dependente da mão de obra, o capital humano tão necessário nas produções.

Hoje pela manhã ouvir o seguinte comentário:

“A medida para salvar os setores em crise adotada pelo governo, é apenas para o governo melhorar a sua popularidade. Segurando a queda do desemprego.”
(Saiba mais aqui: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/governo-edita-mp-com-programa-de-protecao-ao-emprego.html)
Fiquei tão perplexo com o comentário que nem cheguei a comentar.
Ao meu ver, o governo tomou esta medida por que era uma alternativa, ele não o fez para melhorar sua popularidade. Se isso acontecer é consequência. O seu objetivo é governar, pelo povo, pelo social. E está é uma medida que tem esse fim.

Não permitir que se alastre a crise, através do desemprego da população.
Chegamos ao absurdo de achar que tudo é jogo político. E qualquer ação do governo parece ser tomada apenas em beneficio ao próprio partido.

A economia é uma teia complexa de setores em constante movimento. É como andar de bicicleta, quanto mais devagar mais difícil é para se manter em pé. Porém, quanto mais rápido, maior é o risco de que algo aconteça e as consequências tornem-se drásticas. Pois se há uma pedra no caminho, um ciclista em alta velocidade, corre sérios riscos de ir parar no chão.

Funciona mais ou menos assim, se os tiozinhos que trabalham na fábrica de maçanetas e são demitido, eles não vão ter dinheiro e consequentemente vão comprar alguns pães a menos na padaria da esquina do bairro deles.
A padaria vai vender menos e, óbvio, ter menos lucro, e o senhor dono da padaria vai ter menos dinheiro e vai comprar menos roupas de frio nas lojas do centro.
A dona da loja no centro vai vender menos e consequentemente vai demitir uma funcionaria e/ou vai deixar de comprar o imóvel que ela queria comprar na planta.
O dono da construtora vai vender menos apartamentos e consequentemente comprar menos maçanetas na fábrica que falamos inicialmente.

Funciona tudo em um ciclo bem complexo e intrincado. Onde qualquer ação em um setor qualquer do mercado, o afeta indiretamente por um todo.
Governar é muito mais do que ser simpático. É ter que tomar medidas (nem sempre populares) para garantir a estabilidade do mercado e a hegemonia do pais.

sábado, 20 de junho de 2015

Depois de Ver... Os Relacionamentos.

Nunca soube como me relacionar.
Acho que por não haver uma cartilha bem descrita, ou um manual ilustrado.

Sempre tive essa ideia utópica de filmes, de que namorados tem que ser parceiros, amigos, companheiros, partilhar das mesmas vontades. Nunca tinha refletido que para isso ser verdade, aquela máxima tão famosa “os opostos se atraem” não poderia se verdadeira. Não há como ser parceiro de alguém se seus sonhos e objetivos são opostos.

Ser amigo da pessoa com quem se relaciona não é uma constante. Não é algo imprescindível para o relacionamento. Hoje entendo. Por anos sempre achei estranho as pessoas se declararem (normalmente no dia dos namorados), dizendo que seus namorados também eram seus amigos. Se alguém é namorado do outro é óbvio que eles são amigos. Ledo engano. Existem por ai, relacionamentos, bons relacionamentos diga-se de passagem, que as pessoas não são parceiras nem amigas.

Eu, nessa ilusão vendida pelo mundo, sempre tentei ser amigo das minhas namoradas, tentar equalizar os gostos, os objetivos. Na verdade, com minha personalidade narcisista e egocêntrica, acabava tentando transformar elas em mim mesmo. Queria falar sobre as minhas séries favoritas, sobre os jogos que gosto de jogar, assistir filmes e discutir sobre eles, ler livros em comum e/ou mostrar a elas todos os livros e filmes bons ou maus que já passaram pela minha cabeceira.

Me dei conta, de que não se relacionar não é assim. Se relacionar tem mais haver com gostar simplesmente de está ao lado de alguém. De curtir o toque e o beijo. Namoros devem ser pautados apenas no prazer de está com a outra pessoa. Que namorar é apenas gostar de está juntos e não de fazer coisas juntos.


Tenho que lembrar de exercitar isso daqui pra frente. Deixar meu narcisismo de lado e parar de tentar mudar as pessoas e o mundo.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Depois de Ver... O Poder do Dinheiro.

Fique rico ou morra tentando.

 

É a frase que está cimentada em nossos pensamentos. É uma das poucas coisas para a qual somos ensinados.

Mas, é essa insatisfação constante que move rumo ao progresso.

É um jogo onde só se pode jogar com todas as peças no tabuleiro. E para manter os peões no tabuleiro somos impelidos a manter essa persistente esperança.

 

Para os que conhecem um pouco de mitologia grega, sabe que Pandora, foi a primeira mulher do mundo. A qual Zeus presentou com um jarro contendo todos os males do mundo, para que ela o guardasse em segurança.

Para nossa infelicidade, ela abriu o jarro e liberou os males (mais uma mitologia patriarcal onde a mulher é responsável pelo mal que aflige a sociedade. Isto lembra algo a vocês?)

A questão é, que Pandora conseguir aprisionar apenas um deles, que era a “Esperança”. Nunca havia refletido sobre isso até pouco tempo atrás. Só recentemente passei a pensar como a esperança pode ser considerada como um mal para o mundo.

 

A única resposta que encontrei foi de que a esperança é a nossa jaula. É a esperança de tempos melhores, que nos mantem vivendo.

Sem ela seriamos verdadeiramente livres.

E é sobre esta mesma premissa que a sociedade capitalista é fundada. O trabalhador, sempre na esperança de alçar novos patamares, se mantem sobres os jugos do labor.

 

“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor.” Paulo Freire

 

Qual a minha surpresa quando leio nas páginas do livro ‘Pai Rico, Pai Pobre’ encontro o seguinte:

 

“Eu era um garoto de nove anos que teve que sentar e esperar até que ele resolvesse falar comigo. Frequentemente sentei em seu escritório esperando que ele "me atendesse". Ele me ignorava propositalmente. Queria que eu

reconhecesse seu poder e desejasse ter um dia esse mesmo poder.” (KIYOSAKI & LECHTER - ‘Pai Rico, Pai Pobre’)

 

O sonho do jovem garoto de não ter mais que esperar para uma reunião com o chefe, de tornar-se chefe e fazer com que os outros o esperem deliberadamente, com intuído de demonstrar poder. Essa é a demonstração mais física que pode haver da verdade por traz das palavras de Freire.

 

Então... Em uma sociedade na qual não se permite o fracasso e só nos é dada apenas duas alternativas.

Ou aceita sua condição e mantem-se nos trilhos até que a morte o leve ou torne-se o opressor.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Depois de Ver... O Medo.

Só por que eu te dei “oi”, não significa que quero te comer.

Simpatia! Característica que certas pessoas, com certeza, esqueceram lá dentro das redes sociais.

Esquecem na frente fria de um computador. Na tela lisa de um celular. Deixaram no encosto da cadeira da última ceia de natal.

Hoje, quando a empatia se tornou artigo de lixo. Onde tratar o outro bem e tentar conhecer sua origem passou a ser sinônimo de interesse sexual.

Repensem a sua visão de mundo e seu relacionamento interpessoal. As pessoas podem ser boas só por serem.

 

Há prazeres escondidos nas palavras do outro, que só quem tem paciência para ouvir tem direito a essa dádiva.

Há conhecimentos infinitos, ocultos nas nuances de cada frase, dita por cada ser.

E “ler” pessoas, torna-se mais fácil quando se é educado.

Salvo nas vezes em que se fecham com medo da bondade alheia.

 

Seja bom e permita que sejam bons com você.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Depois de Ver... O Que o Povo Esquece

O povo se esqueceu o que é vivem em uma democracia.

A  burguesia passou a odiar a democracia no mesmo instante que ela deixou de servir a seus propósitos.

Quando a grande mídia passou a não mais conseguir dobrar a grande massa a sua vontade.

O povo ter acesso a informação, das mais infinitas fontes e quase sempre de caráter duvidoso. São os novos informados, desinformados.

A opinião da vizinha do lado é mais importante que a do jornalista da TV. Isso não é bom, mas também não é ruim. Ou melhor, é ruim sim. Ruim para a elite que sempre controlou a opinião popular, através da voz do ”Bonner” da vez.

 

Há um jogo de poder onde se manter no poder é mais importante do que os deveres do cargo. No qual, exercer o poder passou a ser, fazer ações  para se sustentar sua base e não mais governar para a polis.

 

O povo se esqueceu o que é um país desigual.

Ou melhor, o povo ignora que vive-se em um pais desigual.

Em renda, direitos, em oportunidades, em privilégios...

 

Façamos um exercício mental.

Que tal se a sua cidade fosse dividida? Isso mesmo, fosse traçado um grande muro e dividisse a cidade em duas novas cidades.

Um muro que separasse o centro e os bairros mais nobres, que consequentemente pagam mais impostos (IPTU, energia, água, etc...), dos bairros mais afastados e pobres.

Consequentemente, teríamos uma cidade muito mais rica (que chamaremos a partir de agora de cidade A), arrecadando muito mais impostos do que gastando, contribuindo muito para a união. Por outro lado, teríamos também uma cidade muito mais pobre (que chamaremos de cidade D), que necessita de mais benefícios e investimentos. E que acabaria por sugar as veias da federação, em busca de dinheiro.

 

Isso, só causaria duas coisas:

·         Revolta dos moradores da cidade A, por que pagam mais impostos e querem seus impostos beneficiando seu próprio município;

·         Maior desigualdade, pois a cidade A ficaria cada vez mais rica e a D cada vez mais pobre;

 

Mais você se pergunta: “E eu com isso?”

A resposta é simples, e vem com uma outra pergunta “de que lado você gostaria de estar?”

A falta de empatia humana, alcança níveis estratosféricos, esquecendo que justiça, nem sempre é todos ganharem a mesma fatia do pão. E que ser humano, é muito mais do que ser da espécie humana.

 

Trazendo isso para o Brasil, e fazendo uma análise fria dos últimos acontecidos, será dito que o Brasil mergulhou hoje em uma crise econômica e política. Uma crise de confiança. A máquina pública não suportou o plano assistencialista do governo atual.

Para não mexer nas finanças dos ricos e poderosos, o governo optou por pressionar a classe média, para retirar “sustento” dos subsídios dados aos pobres e miseráveis.

E não é de hoje, esse processo vem sendo implantado em um plano longo, lento e gradual, até mesmo por governos anteriores.

Por que é um modelo de mundo “social e desenvolvido” onde o mais favorecido, cuida do menos favorecido.

Até que o ajuste teve que ser feito a cortes de facão, caso contrário quebraria-se a balança.

Até que a classe média e o rico sentiu que não está ganhando o pedaço maior do bolo, que para eles é o mais justo, pois são os que mais contribuem.

 

Agora a pergunta: “este é o modelo ideal de gestão?”

Talvez de longe. Há falhas, que vão além dos governantes, a falhas de caráter e educacional que estamos longe de resolver.

 

E em uma análise fria: “a culpa é minha, é sua, é de todo o brasileiro”.

Do brasileiro que não lê, que bebe e dirige, que apresenta atestado falso, que mente no imposto de renda, que rouba, mata, mente, que não devolve o troco, que fala sem saber... Que olha só para o próprio umbigo... De quem não admite que erra, para quem não olha para outros.

 

A culpa está em todos, e é de todos. Mas podemos tirar se achar melhor.

 

Posso apagar o texto, se te faz ficar melhor com a tua consciência, e a gente esquece de quem é a culpa.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Depois de Ver... A Demagogia Nossa de Cada Dia.

Quando terminei o ensino médio, como milhares e milhares de adolescentes pelo mundo, não sabia o que fazer no vestibular. Achava absurdo escolher o que “faria para o resto da vida”, com apenas 17 anos. Mas fui impelido, por minha mãe, professores, colegas, amigos e pelo mundo, a escolher algo.
A solução que encontrei foi saber o que não queria. Sabia que não queria ser médico ou advogado. Sabia que não queria nada das opções que a faculdade da minha cidade apresentava. E, quase que por sorteio, foi eleita a psicologia. Ai  vem o tempo, as dúvidas, as mudanças. E tudo mais.

Mas o fato é que não “escolhi”, propriamente dito. Fui abrindo portas de oportunidades e me apresentando a elas.
Agora, vejo o gigante acordar. O Brasil acordou e está insatisfeito, e com razão, mas não tem o foco, não tem metodologia, nem argumentos. Ele é o adolescente que não quer o que tem, mas não sabe o que quer. A criança que chora por que doí, mas não sabe onde. O perdido que, não sabe para onde vai.

Na geração dos memes, da frase pronta, quase sempre estão fora de contexto, dos 140 caracteres. Sobra tempo para fazer piadas das figuras públicas e falta para a leitura, falta embasamento, falta consciência humana e sobra de egoísmo.

Da era da escuridão ideológica que vivemos na última década, desembocamos em um junho de 2013, no qual milhares saíram as ruas em luta por um ideal. Ou melhor, em busca de milhares de ideais. Cada um com o seu.
E, de totalmente despolitizados, multiplicaram-se por ai desejos de mudanças. Ideais de mundo da cabeça de cada um.

A questão, é que nestes mundos não há espaço para a fome do outro, para a falta do outro, para os erros do outro. Somos uma geração sem empatia. Sem sensibilidades para nada além de cachorros e cantores com voz rasgante.


Somos a  geração do imediatismo. E nessa demagogia nossa de cada dia, cuspimos impropérios narcisistas aos quatro ventos, na espera de likes aprovação.