segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Depois de ver... A corrida.

O mostrador digital do velocímetro do uno oscilava entre 100 e 140 com assustadora velocidade. Os punhos marcavam o volante com força e nem o fluxo intenso da estrada fazia com que seu pé desgrudasse do acelerador.

Ele esta apreensivo, era perseguido pela sombra de um futuro próximo e a angústia o consumia. A chuva, a noite e a quantidade de carros naquela véspera de natal eram os obstáculos que o separavam do seu objetivo.

A pista escorregadia, as ultrapassagens imprudentes, carros, carros e mais carros. As luzes sugavam sua mente até as aparições das vindouras lembranças. Os olhos dele saltava do relógio ate a penumbra do horizonte enquanto continuava a riscar a estrada com a borracha.

Quanto mais se aproximava do seu destino os fantasmas se dissolviam e a esperança brotava dentro dele. Até a chuva diminuiu e seu coração disparou. Imaginou ate ter visto pequenos raios lunares lhe guiarem por caminhos tão conhecidos.


Quando finalmente chegou, estacionou o carro em frente a pequena e aconchegante casa e olhou o relógio. Toda a sua odisséia se justificara. Pela janela viu o olhar singelo de sua garotinha se abrir em um sorriso, tal como se o próprio Papai Noel tivesse se conjurado em sua frente. Foi pela janela, mesmo na chuva, que ele sussurrou as palavras: “Cheguei a tempo do seu Natal.” E aquele sorriso se eternizou.

domingo, 10 de abril de 2011

Depois de Ver... A mágica.

É inicio da tarde de sexta-feira, um dia comum em que as senhoras e donas de casa deslizam pelo mercado e enchem seus carrinhos com as compras do mês. O mercado lotado, com filas enormes que eram ignoradas pelo garoto de 9 anos em suas idas e vindas.

Era véspera de seu aniversario de 10 anos e pela primeira vez ganhou, da sua mãe, o dinheiro para comprar seu presente. No inicio da tarde, logo que chegou em casa após o colégio, jogou sua mochila, preguiçosamente, sobre o sofá e atravessou a rua ate chegar ao supermercado. Correu em direção a sessão de brinquedos e em toda a sua excitação se pos a escolher o seu presente de aniversário.

Foram muitas idas e vindas ate o salão de beleza de sua mãe para perguntar as condições e autorização para escolher este ou aquele presente. Finalmente com os 50 reais que lhe foi dado e a permissão para comprar o brinquedo que desejasse, voltou para o mercado com a certeza que ainda nesta tarde estaria descobrindo os maiores segredos dos mágicos, no kit de mágica que compraria.

Já era fim de tarde quando ele estava a passos de distância do tão desejado brinquedo, após as inumeras corridas. O garoto vê um casal com o carrinho cheio de compras pegar o kit de mágica e displicentemente colocá-lo no carrinho. O choque é tanto que, parado no corredor, ele demora alguns segundos para ir a procura de um segundo exemplar do brinquedo.

Atendentes são questionados, estoque vasculhado e a realidade dura cai de encontro com o garoto, aquele era o ultimo brinquedo. Ainda em uma tentativa desesperada ele olha de longe o jovem casal na fila do caixa e vai de encontro a mulher e pergunta:

- Tia, você vai levar esse brinquedo? - e após constatar o obvio se retira para casa bastante frustrado.

Ainda no fim de tarde, depois de todas as lojas de brinquedos e mercados da redondeza, na pequena cidade onde mora, terem sido revirados e todos os vendedores questionados. Volta para casa sem sucesso.

A sua decepção, unido ao principio de urgência comum a toda criança o faz aceitar comprar dois outros jogos (um kit de química e um combate), mas nada era igual, apenas acentuava a sua infância de filho único de poucos amigos.

E o desejo dos segredos mágicos acompanha-o por toda vida.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Depois de Ver... Convenções.

Oláaa

Depois desses meses de pausa. Volto agora com todo vapor. Hoje trazendo o meu primeiro curta, e aproveitando para lançar a produtora (Janela Afora).

Curtam o filme e dêem suas opiniões.





quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Depois de Ver... o Salto.




Selton chegou em casa após um longo dia de trabalho. Era sábado e ele entrou em seu pequeno apartamento quarto e sala, e se assustou ao vê-lo vazio. No meio da sala-cozinha, encontrou apenas uma caixa de papelão com um envelope sobre ela. Ele já desesperado e sem entender, aproximou-se da caixa de apanhou o envelope. Dentro dele havia uma carta que dizia:

“Você foi empurrado do penhasco...

Abrindo a caixa você encontrará dois pacotes. Um branco e um preto. E na escolha de cada um deles a um caminho a seguir.

No envelope branco você encontrará trinta mil reais, uma passagem de ônibus e uma folha em branco. Se você escolhe-lo significa que você usará esse dinheiro para correr em busca dos seus sonhos, e para isso deve esquecer desde agora todo o seu passado. Assine a folha em branco, onde será feita uma procuração que nos dá o direito a apagar qualquer pendência que o prenda a essa cidade e sua vida atual. Deixe o celular e saia com o dinheiro sem olhar para trás.

Porem, se escolher o pacote preto significa que você quer continuar com a vida que leva e não deseja que nada mude. Neste envelope você encontrará, uma reserva já paga de um hotel aqui mesmo na cidade e dois mil reais. Escolhendo-o você deve pegar um taxi ate o hotel e passar a noite lá. Amanhã quando retornar para casa, sua casa estará do mesmo jeito que a deixou pela manhã, sem nada faltando. O que o dá o direito de voltar para sua patética vida sem sequer lembrar que isso aconteceu.

Obs.: Não chame a polícia, não conte a ninguém e não pegue os dois pacotes. Seja qual for sua escolha, ela é apenas uma. Se optar descumprir as regras haverá conseqüências.”

Se apegando a louca e ariscada oportunidade de abandonar a vida vazia que levava, Selton, mesmo com um grito desesperado preso na garganta, se entregou ao jogo. Pegou o envelope branco e sumiu no mundo.

Anos depois ao chegar em seu quarto de hotel numa pequena cidade do interior da Europa. Viu sobre a cama um pequeno bilhete escrito com a mesma letra
que o fizera mudar de vida anos atrás.

“... Você voou.”

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Depois de Ver... Uma dose.

Bar vazio, o barman passava o último pano no balcão as 2 da manhã quando entra uma figura, meio cambaleante. O homem entrou silencioso e sentou-se a frente do balcão e pediu uma dose. Depois de avisar que estariam fechando em 10 minutos o barman serviu a dose da vodka mais vagabunda do bar, torcendo para que o importuno visitante o abandonasse logo. Após virar a dose, para a surpresa do barman, o sujeito levantou-se foi em direção a porta e saiu dizendo:

- Coloca na conta da solidão.

O barman que ficará indignado por ter sido enrolado aquela hora da noite, ficou mesmo aliviado em não ter que continuar servindo um bêbado quando desejava estar em casa.

Após esse dia essa cena se repetiu por inúmeras noites, sempre do mesmo modo, com o sujeito sempre tomando e pedindo para que fosse posta na conta da solidão. Certo dia, meses depois, o barman já se despedia do companheiro, bêbado e pontual de todas as noites, quando após sua saída a solidão entrou no bar, parou próxima ao balcão e colocou a mão cheia de dinheiro sobre o mesmo e disse:

- Vim pagar a conta do homem que acabou de sair.

O barman contou com os olhos os 200 reais postos sobre o balcão e viu a solidão virar de costas e sair em silêncio em direção a porta para nunca mais.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Depois de Ver... O Torneio.

O primeiro jogo tinha sido marcado para as 17 horas. Era domingo e o pequeno grupo de amigos se reunia para o clássico campeonato de futebol de botão que ocorria a cada dois meses. Não eram nem 15 horas quando o Torres chegou para a cervejinha de preparação para os jogos e já encontrou o Ferreirinha devidamente paramentado com o uniforme completo do Laranjeiras Esporte Clube, time de botão que ele mesmo inventou, calção laranja e camisa vermelha com meão branco e chuteiras verde limão. O Ferreirinha estava como sempre lustrando obsessivamente os botões do seu time e só parou para rápidos intervalos ate as 18:30 quando o Neco, juiz do torneio, chegou bem atrasado e sobre protestos e ameaças dos companheiros.

Já no primeiro jogo houve um lance duvidoso contra o Laranjeiras e o Ferreirinha discutiu com o Neco, que para manter a autoridade expulsou o Remela, botão camisa 4 do Laranjeiras. Para a infelicidade de Neco, o Remela que mal participara do lance era a estrela do Laranjeiras e seu técnico furioso praguejou ainda mais alegando uma perseguição antiga do juiz com ele. O Torres ainda tentou intervir mas foi logo acusado de cumplicidade, e com o Ferreirinha vestido naquele shortinho laranja, com as chuteiras verde e sua barriga quase saindo debaixo da camisa, não dava para discutir.

Neste momento iniciou uma discussão generalizada de duas dúzias de cinqüentões, batendo boca no bar. Que incluíam desde alguns que assistiam ao jogo do Flamengo na TV e nem sabia do lance, a outros que nem estavam no torneio. A acalorada discussão chegava quase ao seu auge, apesar dos protestos inaudíveis do dono do bar, quando o Neco, gritou para o Ferreirinha:

- É por essas suas idiotices que sua mulher a anos que prefere transar comigo.

Como em cena de filme aquela frase saltou no meio da discussão e todos fizeram silêncio. O Ferreirinha furioso partiu pra cima dele à socos e pontapés e a briga foi geral.

Alguns copos quebrados, botões espalhados por todo o bar e alguns que a minutos atrás se socavam sem saber por que tomando cerveja e rindo na mesma mesa.

Dizem que horas depois ainda ouvia-se o Ferreirinha, sentado sozinho no canto do bar, segurando discreto o Remela e murmurando baixinho:

- Mais o Remela ele não podia ter expulsado.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Depois de Ver... A onça.


Tenho muito a dizer dos amigos, da-

queles que protegem a mim, como resguarda seus filhotes a mãe

onça. A esses que assistem meu sucesso torcendo por

mim com vontade. Obrigado a aqueles que se entristecem por

um erro meu, e que aguardam ansiosos para pu-

lar de alegria com minhas conquistas. E que querem bai-

xar o chão sobre meus pés para fa-

cilitar o meu sucesso e me apoiam de modo a nunca tra-

zer o mal a mim e a meus amigos. Aos que buscam

sinceridade, respeito e abominam as

inimizades e intrigas, so digo: Se fo-

quem nos seus objetivos e explo-

dam todos os que desejam fazer o mal ao próximo.


"No fenecer é que são vistos os heróis e os derrotados."